Terça-Feira, 7 de Fevereiro de 2012

A GAROTA DA MINHA RUA Por: Mário Mendes / 06-03-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Ela passa todos os dias na minha rua, balançando o seu corpo esbelto, que uma cintura fina e as longas pernas morenas, bem torneadas, fazem realçar.
Não sei porquê, mas lembra-me sempre a garota de Ipanema que Vinicius de Moraes e Tom Jobim imortalizaram na canção que a descreve.

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…

Não que eu tivesse conhecido a garota de Vinicius e Jobim. Nesse tempo ainda nem havia nascido. Eles apenas anteciparam a garota da minha rua.

Também ela
é a coisa mais linda,
mais cheia de graça,
que eu vejo passar.

Como gostava de ser poeta ou compositor para a imortalizar como a garota da minha rua. Mas não sou. Lamentavelmente, não percebo nada nem de música, nem de poesia.

Apenas sei que é a
coisa mais linda,
mais cheia de graça,
é ela menina que,
(todos os dias)
vem e que passa…

… o seu balançado é mais que um poema.
Só não caminha para o mar. Não sei para onde caminha. A sua beleza também me deixa triste e sozinho,
ela

que não é só minha
que também passa sozinha
e que, provavelmente, não sabe que,
quando ela passa,
o mundo inteirinho se enche de graça
e fica mais lindo por causa do amor.

Até já pensei dizer-lhe como ela é importante para mim. Porventura, será importante para todos os que, como eu, a vêem passar. Ou talvez não.
Quando ela passa, balançando o seu corpo, sem dúvida que
é a coisa mais linda que já vi passar.
Podia correr atrás dela e do seu balançar, se não fosse tão tímido. Mas não consigo. Para lá de não ser poeta, nem compositor ainda por cima sou tímido. Devia cantar-lhe o poema de Vinicius, como se fora Jobim. Mas, além de tímido, também não sei cantar. Como gostava de lhe poder dizer que

é a coisa mais linda,
mais cheia de graça
que eu vejo passar…

A garota da minha rua, caminha segura e indiferente aos olhares. Ao meu olhar que a persegue até ao fim da rua!

a coisa mais linda,
mais cheia de graça
que eu vejo passar.

Morena, de grandes cabelos negros, olhos verdes rasgados, cintura fina, esbelta, curvilínea, balança seu corpo no seu caminhar. Eu fico sozinho e tudo fica mais triste depois de ela passar. O mundo inteirinho perde todo a graça porque se desvanece o amor.
A garota da minha rua, que não caminha para o mar, balança seu corpo, suavemente, como batel ancorado no mar sossegado das suaves ondas da minha imaginação e do meu sonho.

a coisa mais linda,
mais cheia de graça,
é ela menina
que vem e que passa
num doce balanço
que, sei, não é
a caminho do mar.

E fico sozinho, trauteando Jobim, enquanto a garota da minha rua se afasta, levando com ela, no seu balançar, o meu sonho de lhe poder fazer um poema, como Vinicius, para o poder musicar e cantar-lho como Jobim.

Olha que coisa mais linda,
mais cheia de graça…

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