Domingo, 20 de Maio de 2012

AGRICULTURA MUNDIAL: QUE FUTURO? Por: Paulo Costa / 14-02-2012 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Rui Pires

Num timing em que a população mundial ultrapassou já os sete biliões (bilhões) de pessoas e se perspetiva atingir já em 2050 os nove biliões, numa época em que a geografia populacional nos mostra um crescimento brutal dos países em desenvolvimento, quer em crescimento do PIB quer em crescimento populacional, vivendo uma contagiante e crescente forma de consumo, mas também um consumo cada vez mais preocupado com uma alimentação saudável e correta, como irá o mundo desenvolver a sua produção agrícola para alimentar tantas bocas?

O que constatamos atualmente é que o setor primário se afigura novamente como a base da economia mundial e que num futuro próximo irá mesmo ser novamente a causa das grandes preocupações humanas e económicas, isto se dia algum deixou de o ser.

O crescimento populacional e de poder de compra de países como Brasil, Índia, China, Rússia, Angola, Moçambique, Ucrânia, Polónia, Dubai ou África do Sul, levou a que a produção agrícola tenha evoluído a um ritmo impressionante nos últimos anos. Com esta evolução cresceram também os setores da formação superior, as tecnologias agrícolas e o negócio dos fertilizantes, sendo que estes últimos são de um poder cada vez mais influente na otimização da capacidade produtiva mundial. Se olharmos os números reais é impressionante como um setor tão primário é dominado por um grupo tão restrito de empresas hercúleas e países colossais, conforme é possível ler num relatório britânico, que conclui que o poder dos diferentes países são o seu domínio económico, as suas capacidades de influência política e suas dotações de recursos naturais.

Neste relatório lemos ainda que participação no comércio internacional e sediação de empresas transnacionais indicam poder económico. No global a concentração é marcante: - Os 20 países que mais comercializam são responsáveis por 78 e 70% das exportações e importações globais, respectivamente; - Quatro empresas comercializam cerca de 80% dos grãos no mundo; - Sete empresas controlam a oferta mundial de fertilizantes; - Três empresas comercializam 50% do mercado global de sementes.

Ao ler este relatório poderemos ficar assustados e preocupados ou poderemos ficar entusiasmados. Eu prefiro a última, pois as oportunidades deste setor são infinitas, tal é a abertura dos novos mercados, a facilidade de criar parcerias internacionais e a importância das denominações de origem em certos nichos de mercado, aqueles para onde Portugal deverá encetar esforços, na minha opinião.

Portugal é cultural e historicamente um país agrícola, com um clima muito favorável, um território fértil, ainda coberto por aldeias que significam proximidade da mão de obra junto dos terrenos de cultivo, e muito importante, um país com excelentes universidades e escola técnicas dedicadas ao ensino agrícola, agrário, florestal, químico, enológico e pecuário.

Na minha opinião Portugal deveria definir um projeto de agregação, escolher as áreas agrícolas a apostar fortemente em devida conformidade com as caraterísticas geográficas de cada região, apostar numa forte ligação da universidade a estes projetos segmentados, promover a investigação e desenvolvimento nas áreas definidas e apostar na sua marca histórica para captação de mercados.

E tendo em conta que somos um país de território diminuto, supondo que poderíamos alavancar muito mais negócio do que aquele que na realidade conseguiremos alimentar, porque não criar e fortalecer laços intensos e altamente profissionais com parceiros do Brasil, Angola e Moçambique?

Na minha Região, um pequeno território situado no Norte de Portugal, subdeterminado Trás-os-Montes e Alto Douro, por vezes ouço responsáveis institucionais afirmar que estamos a produzir demais ou que escoamos a produção existente. Conhecendo eu tão bem o território e sabendo que certamente mais de metade deste está “a monte” e tem potencialidades produtivas, conhecendo eu os números do consumo mundial e as caraterísticas dos nossos produtos endógenos, fico abismado como continuamos com uma atitude apática e não aproveitamos tudo o que a mãe natureza nos ofereceu.

Mas esta é apenas a minha opinião, a opinião de um aldeão que tudo tem feito para promover a Região mais pobre da Europa, Trás-os-Montes e Alto Douro, que tem viajado pelo mundo e tem encontrado sociedades loucas por consumo de produtos internacionais, que tem encontrado mercados agrícolas com produtos de todo o mundo exceto de Portugal, que tem notado que a marca Portugal continua a ter um forte posicionamento agrícola.

Por fim, questiono: Se Portugal tem fama, tem sol, tem chuva, tem território fértil, tem pessoas com knwo-how, tem universidades de vanguarda, tem portos de excelência e tem vontade de exportar (e necessidade vital), PORQUE NÃO APROVEITAR O MELHOR QUE O PAÍS NOS DÁ?

Paulo Costa
Diretor Geral da Global Sport Presidente da EMCODOURO S.A.

paulo.costa@globalsportdouro.com

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